quarta-feira, 21 de setembro de 2011

I Mostra de Talentos


No sábado, dia 03 de setembro, aconteceu a I Mostra de Talentos do IFRS – Campus Canoas. Nesse evento, alunos, servidores e pessoas da comunidade local mostraram seus talentos tocando algum instrumento, cantando e até mesmo declamando poemas. A plateia também foi agraciada por homenagens à Semana Farroupilha com declamações e músicas típicas gaúchas.
Veja, a seguir, algumas imagens desse belo evento artístico:

Juliane Schröeder e Letícia Cardoso, bolsistas de extensão do IFRS - Campus Canoas

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Alguns poemas declamados na I Mostra de Talentos

Abaixo, deixamos um poema declamado na I Mostra de Talentos do IFRS - Campus Canoas.


Poesia Matemática
Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos romboides, boca trapezoide,
corpo retangular, seios esferoides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
“Quem és tu?”, indagou ele
em ânsia radical.
“Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa.”
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidianas
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
frequentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade.
Millôr Fernandes
Juliane Schröeder e Letícia Cardoso, bolsistas de extensão do IFRS - Campus Canoas

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Sugestão de Leitura: Mário Quintana

Mário Quintana foi um escritor muito talentoso de sua geração, apesar de ter conseguido renome apenas após sua morte. Seria impossível falar de toda sua vida sem que ficasse um texto muito longo, então colocamos o link de uma página da web em que se encontra toda a sua biografia.

Abaixo, deixamos um dos muitos poemas de sua autoria:

Seiscentos e sessenta e seis

A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ª feira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem - um dia - uma outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio
seguia sempre, sempre em frente...

E iria jogando pelo caminho a casca dourada
e inútil das horas.
QUINTANA, Mario. Esconderijos do tempo. São Paulo: Globo, 2005. p.50
Link com informações sobre o autor:
http://www.releituras.com/mquintana_bio.asp

Juliane Schröeder e Letícia Cardoso, bolsistas de extensão do IFRS - Campus Canoas